Ninguém, em sã consciência, pode negar o valor e a utilidade que os animais sempre tiveram no contexto da vida humana.
Desde que o mundo é mundo, nos, seres superiores, nos valemos da força da capacidade de trabalho e- mais que isso- da amizade que nos dedicam os animais.
Mas, talvez por arrogância ou mera estupidez, alguns, em vez de reconhecer e recompensar a amizade dos bichos, preferem maltratá-los e explorá-los das formas mais perversas possíveis.
Para qualquer ser humano com um pingo de responsabilidade, é revoltante assistir a malvadeza gratuita de certas pessoas em relação aos animais. Tem gente que parece se divertir com espancar, açoitar e humilhar animaizinhos indefesos – os covardes acham que chutar um cachorro ou bater de relho num pobre burrinho seja uma grande demonstração de valentia.
Mas para o fato é que quem trata um animal dessa forma pode ser tudo, menos valente.
Respeitar os pais, respeitar o papa, respeitar o chefe ou qualquer outra pessoa que de alguma forma tenha ascendência sobre nós não é vantagem – até porque aquilo que parece respeito é, as vezes, apenas medo ou conveniência. Grandeza de caráter não se demonstra respeitando os mais fortes, mas sim respeitando os mais fracos, os que não podem se defender-se.
Nós mesmos, que nos consideramos civilizados e julgamos tratar os bichos com dignidade, estamos longe de ser santos.
Vejamos o exemplo da vaca:
O que faz uma vaca durante a sua vida toda a sua vida senão servir a humanidade?
No entanto, não satisfeitos em beber seu leite e comer seu queijo, nos a matamos e a esquartejamos para devorar também a sua carne. Arrancamos seu couro para fabricar roupas e calçados, exploramos ate a ultima gota de sangue, esse pobre bicho que, do dia em que nasce ao dia em que morre, não faz outra coisa senão nos servir de todas as formas imagináveis.
Ironicamente, no entanto, se queremos ofender uma mulher, o que fazemos?
Nos a chamamos de vaca.
Se queremos diminuir um homem, o que fazemos?
Nós o chamamos de cachorro.
Se nos trata com estupidez, dizemos que ele é o que?
Um cavalo.
Se uma pessoa se revela falsa, com quem a comparamos?
Com uma cobra.
Quando se mostra pouco inteligente. Do que mesmo que nos chamamos?
De burra.
Os que roubam são gatos. Os relaxados são porcos.
Mulher afetada. Se trai o marido, é galinha.
Mas pensando bem: alguém já viu uma galinha rodando bolsinha? Ou um gato assaltando um banco? Ou um cavalo ofender quem quer que seja? Ou um burro enchendo a cara num boteco e detonando estupidamente a própria saúde?
Então porque será que apelamos a bichos inocentes para simbolizar a desonestidade, a falta de caráter, educação e inteligência dos imbecis da nossa espécie?!
Como legítimos gigolôs, durante toda a nossa vida, nos servimos dos animais e os exploramos de todas as formas. Como se não bastasse, ainda os utilizamos cinicamente, para ilustrar nossos defeitos. Como se fossem eles, os animas, a origem de toda a miséria moral deste mundo.
E, no entanto, a verdade é que, diante do fingimento de certas pessoas, muita cobra venenosa acaba ficando no chinelo.
E as sujeiras que alguns humanos são capazes de aprontar contra os próprios amigos deixariam, com certeza, muito porquinho por ai esta morrendo de vergonha...
Renato Gaucho
Pensem nisso!!!

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